quarta-feira, 12 de setembro de 2018
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
A digna pobreza de nossos avós. . .
[Antigamente] A pobreza nunca serviu de justificativa para a maledicência. Entre eles, sempre existiu a idéia clara, cristalina, do que era certo e errado. Não comungavam com bandidagem, criminalidade, nada. Isso era totalmente desconhecido, senão alheio. Na pior das hipóteses, ter um filho bandido ou criminoso, era motivo de deserdar da família. (...).
Minha avó passava fome e nunca se prostituiu; mal tinha família e, no entanto, tinha uma conduta moral exemplar. E a pobreza nunca foi justificativa para chorar seu destino; lutou e conseguiu ter uma velhice digna, como muitos de seus contemporâneos. Na verdade, toda uma classe média é vinda precisamente dessas pessoas pobres e perseverantes, que lutaram para ter melhoras de vida, justamente com essa formação moral. (...).
[Hoje] Os pobres são induzidos a invejar os ricos e se tornam desonestos, ladrões, gatunos e rancorosos daquilo que não possuem. Muitos não alimentam uma ética de trabalho, pelo contrário, querem saquear os mais prósperos. A desunião se dissemina entre eles e o vizinho é capaz de agredir e matar o outro por migalhas. Os filhos odeiam os pais e os pais rejeitam os filhos; e a liberdade sexual levou uma boa parte dos jovens à promiscuidade pura e simples. Os jovens, que eram protegidos de muitas temeridades, estão expostos a toda sorte de abusos e doenças. O caos das mães solteiras e dos filhos indesejados é o preço da exaltação da liberdade sexual irrestrita, sem as responsabilidades e limites morais inerentes ao sexo. Isto porque a delinqüência brutal e a violência assombrosa nas cidades se devem, justamente, à quebra total da moralidade familiar. Pais irresponsáveis e levianos, filhos desamparados, indivíduos sem consciência moral.
Os jovens de épocas passadas eram disciplinados pela autoridade dos mais velhos. E a velhice e madureza eram sinônimas de autoridade e sapiência. O que se vê hoje é o culto do jovem irresponsável, mimado, que elevado nas alturas da bajulação indevida e isento de responsabilidades, descamba para a perversão moral, para a criminalidade e para o banditismo. Com tantas regalias, tantos mimos, eles se tornam assassinos, violentos, cruéis, desumanos, estupradores, salteadores e canalhas! Daí as causas da violência, que estão mais no espírito de dissenso ético e moral da população do que necessariamente em seus bolsos. Até porque a relação entre pobreza e criminalidade não somente é falsa, como preconceituosa.
sábado, 8 de setembro de 2018
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Platão e a Educação
"Logo, a boa qualidade do discurso, da harmonia, da graça e do ritmo depende da qualidade do caráter, não daquele a que, sendo debilidade de espírito, chamamos familiarmente ingenuidade, mas da inteligência que verdadeiramente modela o caráter na bondade e na beleza.
- Exactamente - disse.
- Portanto, não devem os jovens procurar por toda a parte estas qualidades, se querem executar o que lhes incumbe?
- Devem procurá-las, sim.
- Mas também a pintura está cheia delas, bem co...mo todas as artes desta espécie. Cheia está a arte de tecelagem, de bordar, de construir casas, e o fabrico dos demais objectos. Em todas estas coisas há, com efeito, beleza ou fealdade. Em fealdade, a arritmia, a desarmonia, são irmãs da linguagem perversa e do mau caráter; ao passo que as qualidades opostas são irmãs e imitações do inverso, que é o caráter sensato e bom.
- Absolutamente - disse.
- Mas então só aos poetas que devemos vigiar e forçá-los a introduzirem nos seus versos a imagem do caráter bom, ou então a não poetarem entre nós? Ou devemos vigiar também os outros artistas e impedi-los de introduzir na sua obra o vício, a licença, a baixeza, o indecoro, que na pintura dos seres vivos, que nos edifícios, quer em qualquer outra obra de arte? E, se não forem capaz disso, não deverão ser proibidos de exercer o seu mester entre nós, a fim de que os guardiões, criados no meio das imagens do mal, como no meio de ervas daninhas, colhendo e pastando aos poucos, todos os dias, porções de muitas delas, inadvertidamente não venham a acumular um grande mal na sua alma? Devemos mas é procurar aqueles dentre os artistas cuja boa natureza habilitou a seguir os vestígios da natureza do belo e do perfeito, a fim de que os jovens, tal como os habitantes de um lugar saudável, tirem proveito de tudo, de onde quer que algo lhes impressione os olhos ou os ouvidos, procedente de obras belas, como uma brisa salutar de regiões sadias, que logo desde a infância, insensivelmente, os tenha levado a imitar, a apreciar e a estar de harmonia com a razão formosa?
- Seria essa, de longe, a melhor educação."
- Absolutamente - disse.
- Mas então só aos poetas que devemos vigiar e forçá-los a introduzirem nos seus versos a imagem do caráter bom, ou então a não poetarem entre nós? Ou devemos vigiar também os outros artistas e impedi-los de introduzir na sua obra o vício, a licença, a baixeza, o indecoro, que na pintura dos seres vivos, que nos edifícios, quer em qualquer outra obra de arte? E, se não forem capaz disso, não deverão ser proibidos de exercer o seu mester entre nós, a fim de que os guardiões, criados no meio das imagens do mal, como no meio de ervas daninhas, colhendo e pastando aos poucos, todos os dias, porções de muitas delas, inadvertidamente não venham a acumular um grande mal na sua alma? Devemos mas é procurar aqueles dentre os artistas cuja boa natureza habilitou a seguir os vestígios da natureza do belo e do perfeito, a fim de que os jovens, tal como os habitantes de um lugar saudável, tirem proveito de tudo, de onde quer que algo lhes impressione os olhos ou os ouvidos, procedente de obras belas, como uma brisa salutar de regiões sadias, que logo desde a infância, insensivelmente, os tenha levado a imitar, a apreciar e a estar de harmonia com a razão formosa?
- Seria essa, de longe, a melhor educação."
(Platão in "A República", 401a, b, c, d)
terça-feira, 4 de setembro de 2018
domingo, 2 de setembro de 2018
Frase de Sêneca
É uma vergonha que um homem já velho, ou próximo da velhice, tenha uma sabedoria de compêndio. “Zenão diz assim.” – E tu, o que dizes? “Cleantes afirma...” – E tu, o que afirmas? Até quando andarás sob as ordens de outro? Dá as tuas ordens, diz algo digno de memória, afirma alguma coisa por tua conta! Por isso penso que todos quantos, recolhidos à sombra alheia, permanecem intérpretes e nunca se afirmam como autores, não possuem um caráter elevado, pois nunca ousam fazer nada do que longamente andaram estudando (...) Até quando permanecerás estudante? É altura de ensinares também.
Sêneca, “Carta a Lucílio”, 33, 8-9.
Assinar:
Postagens (Atom)