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quarta-feira, 12 de abril de 2023

"A Luz do Baile" por Monteiro Lobato (1918)

Despercebidos de todo passaram-se este mês dois aniversários. A 2 de dezembro nasceu, a 5 de dezembro faleceu D. Pedro II. Quem foi este homem que não deixou lembranças neste país? Apenas um Imperador… Um Imperador que reinou apenas durante 58 anos… Tirano? Despótico? Equiparável a qualquer facínora coroado? Não.

domingo, 23 de outubro de 2022

Pio XII explica a diferença entre "povo" e "massa"

Trecho da rádio-mensagem de Natal do papa Pio XII, em 1944:

Povo e multidão amorfa ou, como se costuma dizer, «massa», são dois conceitos diversos. O povo vive e se move com vida própria; a massa é por si mesma inerte, e não pode receber movimento sem ser de fora. O povo vive da plenitude da vida dos homens que a compõem, cada um dos quais — em seu próprio lugar e a sua maneira — é pessoa consciente de suas próprias responsabilidades e de suas convicções próprias. A massa, pelo contrário, espera o impulso de fora, joguete fácil nas mãos de um qualquer que explora seus instintos ou impressões, disposta a seguir, cada vez uma, hoje esta, amanhã aquela outra bandeira. Da exuberância de vida de um povo verdadeiro, a vida se difunde abundante e rica no Estado e em todos os seus órgãos, infundindo neles com vigor, que se renova incessantemente, a consciência da própria responsabilidade, o verdadeiro sentimento do bem comum. Da força elementar da massa, habilmente manipulada e usada, pode também servir-se o Estado: nas mãos ambiciosas de um só ou de muitos agrupados artificialmente por tendências egoístas, pode o mesmo Estado, com o apoio da massa reduzida a não ser mais que uma simples máquina, impor seu arbítrio à melhor parte do verdadeiro povo: assim o interesse comum fica gravemente ferido e por muito tempo, e a ferida é muitas vezes dificilmente curável.

domingo, 11 de setembro de 2022

Discurso do Papa Bento XVI no Parlamento Alemão



Bento XVI no dia 22 de setembro de 2011 faz um discurso em Berlim, diante dos altos executivos do governo e da chanceler federal.


O santo padre golpeia de maneira fatal o cor da "Nova Ordem", que se apresenta como um sistema filosófico nas altas esferas intelectuais e infecta a sociedade de maneira sorrateira e sibilina numa corrente de causa e efeito. Quem tiver ouvidos, ouça.

Neste discurso o Papa trata, com clareza e agilidade dos problemas esgrimistas que buscam presentear o oponente com um golpe mortal, sobre o dever da política e o grande embuste do direito positivo e a tirania da maioria.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Frase de Tomáš Baťa

BATA SHOES are known all over the world. The founder of this company and Czech philanthropist Thomas Bata (1876-1932) was known and admired by his employees everywhere for his fairness, business skill and wisdom. This is what he wrote and practiced in his life: 

sábado, 27 de julho de 2019

Winston Churchill: "We Shall Fight on the Beaches"

Winston Churchill, House of Commons, June 4, 1940. Following May 26, "Operation Dynamo," Dunkirk, the evacuation of 338,000 Allied troops to English shores.


Texto completo: http://www.fiftiesweb.com/usa/winston-churchill-fight-beaches.htm

quinta-feira, 23 de maio de 2019

John Adams e a aristocracia natural

"Por nobres, não me refiro particularmente à nobreza hereditária, ou qualquer modificação particular, mas à aristocracia natural e real entre os homens. A existência desta você não vai negar. Você e eu vimos quatro famílias nobres levantarem-se em Boston -- os Crafts, os Gore, os Dawes e os Austin. Estes são realmente como uma nobreza em nossa cidade, como os Howard, os Somerset, os Bertie, etc. ...na Inglaterra.

Cegos, censuras indistintas contra a parte aristocrática da humanidade -- uma divisão que a natureza fez e não podemos abolir --, não são nem piedosas nem benevolentes. Eles são tão perniciosas quanto falsas. Eles servem apenas para fomentar o preconceito, ciúme, inveja, animosidade e malevolência. Eles não servem a nada, a não ser à sofistíca, à fraude, e o espírito da discórdia" (John Adams).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Gianna Jessen - Sobrevivente de um Aborto

Gianna Jessen [ http://www.giannajessen.com/ ] sobreviveu a um aborto por envenenamento salino. Deveria estar morta, mas milagrosamente sobreviveu. Nesse discurso, Gianna nos comove com o exemplo de sua vida. Diga NÃO ao aborto!

1.ª Parte:



2.ª parte:



O testemunho dessa moça é um sermão que todos nós precisamos ouvir. Deus usa os "pequeninos" para envergonhar os "grandes", o vídeo mostra isso. Que Deus maravilhoso!

sábado, 22 de setembro de 2018

Discurso de Marco Antônio nos Funerais de César

 Charlton Heston, 1950.



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Marlon Brando, 1953.



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DISCURSO DE MARCO ANTÔNIO NOS FUNERAIS DE CÉSAR


Amigos, romanos, compatriotas, prestai-me atenção! Estou aqui para sepultar César, não para glorificá-lo. O mal que os homens fazem perdura depois deles! O bem é quase sempre sepultado com seus próprios ossos! Que assim seja com César!

O nobre Brutus vos disse que César era ambicioso. Se assim foi, era uma grave falta e César a pagou gravemente. Aqui, com a permissão de Brutus e dos demais – pois Brutus é um homem honrado, como todos os demais são homens honrados -, venho falar nos funerais de César. Era meu amigo, leal e justo comigo; mas Brutus diz que era ambicioso, e Brutus é um homem honrado. Trouxe muitos cativos para Roma, cujos resgates encheram os cofres do Estado. César, neste particular, parecia ambicioso? Quando os pobres deixavam ouvir suas vozes lastimosas, César derramava lágrimas. A ambição deveria ter um coração mais duro! Entretanto, Brutus disse que ele era ambicioso e Brutus é um homem honrado. Todos vós o viste nas Lupercais: três vezes eu lhe apresentei uma coroa real e, três vezes ele a recusou. Isto era ambição? Entretanto, Brutus disse que ele era ambicioso e, sem dúvida alguma, Brutus é um homem honrado. Não falo para desaprovar o que Brutus disse, mas aqui estou para falar sobre aquilo que sei! Todos vós já o amastes, não sem motivo. Que razão, então, vos detém, agora, para pranteá-lo? Oh! Inteligência, fugiste para os irracionais, pois os homens perderam o juízo!... Desculpai-me! Meu coração está ali com César, e preciso esperar até que ele para mim volte!

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Ainda ontem, a palavra de César podia ser mais forte do que o Universo! Agora, ali ele jaz e ninguém, mesmo que seja o mais miserável possível, não lhe presta uma só homenagem! Ó senhores, se estivesse disposto a excitar vossos corações e vossos espíritos para o motim e a cólera, seria injusto com Brutus e com Cassius, os quais, como todos vós sabeis, são homens honrados. Não quero ser injusto com eles! Prefiro ser injusto com o morto, comigo e convosco, a ser injusto com homens tão honrados! Mas aqui está um pergaminho com o selo de César. Eu o encontrei no gabinete dele: são as suas últimas vontades. Ouça somente o povo este testamento – embora, desculpai-me, não pretenda lê-lo -, e irá beijar as feridas de César morto, mergulhando os lenços em seu sangue sagrado! Mendigará um cabelo como relíquia e, quando morrer, o mencionará nos testamentos, para transmiti-lo, como precioso legado, para sua descendência.

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Sede pacientes, amáveis amigos! Não devo lê-lo! Não é conveniente que saibais quanto César vos amava! Não sois de madeira, não sois de pedra, mas sois humanos e, sendo homens, ao ouvirdes o testamento de César, ficareis inflamados, ficareis enlouquecidos. Não é bom que saibais que sois os herdeiros dele, se vós o soubésseis, oh que poderia acontecer?

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Tereis paciência? Esperareis um pouco? Fui longe demais contando-vos isto. Temo ser injusto com os homens honrados, cujos punhais feriram César! É o que temo!

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Quereis compelir-me então a ler o testamento? Pois, então, formai um círculo em torno do cadáver de César e deixai-me mostrar-vos aquele que fez o testamento. Posso descer? Vós dareis vossa permissão?

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Se tiverdes lágrimas, preparai-vos agora para derramá-las. Todos vós conheceis este manto; lembro-me da primeira vez que César o usou. Era uma tarde de verão, dentro da tenda, no dia em que venceu os nérvios. Olhai: por este lugar penetrou o punhal de Cássio! Vede que rasgão abriu o invejoso Casca! Por este, o bem-amado Brutus o feriu! E, ao retirar o maldito aço, observai como o sangue de César parece que se lançou atrás dele, como se quisesse certificar-se de que era ou não Brutus quem tão desumanamente abria a porta! Porque Brutus, como sabeis, era o anjo de César! Julgai-o, ó deuses, com que ternura César o amava! Esse foi o mais cruel de todos os golpes, pois, quando o nobre César viu que ele o feria, a ingratidão, mais poderosa do que os braços dos traidores, venceu-o completamente! Então, estalou seu poderoso coração e, cobrindo o rosto com o manto, o grande César caiu aos pés da estátua de Pompeu, onde o sangue não parava de jorrar... Oh! Que queda foi aquela, meus compatriotas! Naquele momento, eu, vós e todos caímos, enquanto triunfava sobre nós a traição sangrenta! Oh! Estais chorando agora e percebo que sentis a marca da piedade! São lágrimas generosas! Almas bondosas, porque chorais, quando só vistes ainda as feridas do manto de César? Olhai: aqui está o próprio César, como estais vendo, desfigurado pelos traidores!

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Bons amigos, amáveis amigos, não me deixeis excitar-vos com esta repentina explosão de revolta! Aqueles que consumaram este ato são homens honrados. Quais eram as queixas secretas que tinham para fazê-lo? Ai! É o que ignoro. Eles são sensatos e honrados e, sem dúvida, apresentarão a todos vós as razões que possuíam. Não vim aqui, meus amigos, para roubar vossos corações! Não sou orador como Brutus, mas como todos vós sabeis, um homem franco e simples que amava meu amigo e isso sabem perfeitamente bem os que me deram publicamente licença para falar a respeito dele. Não tenho espírito, nem palavras, nem mérito, nem ação, nem eloqüência, nem o poder da palavra capazes de excitar o sangue dos homens! Falo muito claramente e só vos digo o que todos vós já sabeis. Estou mostrando as feridas do bondoso César, pobres bocas mudas e peço-lhes que falem por mim! Se eu fosse Brutus, e se Brutus fosse Antônio, esse Antônio perturbaria a serenidade de vossos espíritos e colocaria uma língua em cada uma das feridas de César, capaz de comover e levantar em motim as pedras de Roma!

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Amigos, não sabeis o que ides fazer! Que fez César para assim merecer vossos afetos? Ai, vós o ignorais! Devo, então, dizer-vos. Esquecestes o testamento de que vos falei.

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Aqui está ele e com o selo de César. A cada cidadão romano, a cada homem, individualmente, ele lega setenta e cinco dracmas.

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Além disso, ele vos deixa todos os seus passeios, seus jardins privados, seus pomares recém-plantados deste lado do Tibre. Lega-os perpetuamente para vós e para vossos herdeiros como parques públicos, para que possais passear e divertir-vos. Aqui estava um César. Quando aparecerá outro?



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Fonte: SHAKESPEARE, William. "Júlio César". In: Obras Completas, Vol. I. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1969.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Discurso de Henrique V na Batalha de Agincourt

Kenneth Branagh, 1989.



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O DISCURSO DO DIA DE SÃO CRISPIM


A cena ocorre no acampamento inglês no dia da batalha de Azincourt (25 de outubro de 1415). O rei Henrique V faz a revista em suas tropas. Os ingleses tem dez mil soldados para opor-se aos 60 mil franceses que os aguardam nas planícies de Azincourt quando é abordado pelo conde de Westmoreland (*).


O conde de Westmoreland, primo do rei, lamenta a falta de mais homens para pelo menos tentar equilibrar um pouco a enorme diferença dos efetivos de combatentes. O rei toma a palavra então:


Quem expressa esse desejo? Meu primo Westmoreland? Não, meu simpático primo; se estamos destinados a morrer, nosso país não tem necessidade de perder mais homens do que nós temos aqui; e , se devemos viver, quanto menor é o nosso número, maior será para cada um de nós a parte da honra. Pela vontade de Deus! Não desejes nenhum um homem a mais, te rogo! Por Júpiter! Não sou avaro de ouro, e pouco me importo se vivem às minhas expensas: sinto pouco que outros usem minhas roupas: essa coisas externas não encontram abrigo entre as minhas preocupações; mas se ambicionar a honra é pecado, sou a alma mais pecadora que existe.


Não, por fé, não desejeis nenhum homem mais da Inglaterra. Paz de Deus! Não quereria, pela melhor das esperanças, expor-me a perder uma honra tão grande, que um homem a mais poderia quiçá compartir comigo. Oh! Não ansieis por nenhum homem a mais! Proclama antes, através do meu exército, Westmoreland, que aquele que não for com coração à luta poderá se retirar: lhe daremos um passaporte e poremos na sua mochila uns escudos para a viagem; não queremos morrer na companhia de um homem que teme morrer como companheiro nosso.


O dia de São Crispim: este dia é o da festa de São Crispim; aquele que sobreviver esse dia voltará são e salvo ao seu lar e se colocará na ponta dos pés quando se mencionará esta data, ele crescerá sobre si mesmo ante o nome de São Crispim. Aquele que sobrevier esse dia e chegar a velhice, a cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhes dirá: "Amanhã é São Crispim". E então, arregaçando as mangas, ao mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: "Recebi estas feridas no dia de São Crispim."


Os velhos esquecerão; mas, aqueles que não esquecem de tudo, se lembrarão todavia com satisfação das proezas que levaram a cabo naquele dia. E então nossos nomes serão tão familiares nas suas bocas com os nomes dos seus parentes: o rei Harry, Bedford, Exeter, Warwick e Talbot, Salisbury e Gloucester serão ressuscitados pela recordação viva e saudados com o estalar dos copos.


O bom homem ensinará esta história ao seu filho, e desde este dia até o fim do mundo a festa de São Crispim e Crispiano nunca chegará sem que venha associada a nossa recordação, à lembrança do nosso pequeno exército, do nosso bando de irmãos; porque aquele que verter hoje seu sangue comigo, por muito vil que seja, será meu irmão, esta jornada enobrecerá sua condição e os cavaleiros que permanecem agora no leito da Inglaterra irão se considerar como malditos por não estarem aqui, e sentirão sua nobreza diminuída quando escutarem falar daqueles que combateram conosco no dia de São Crispim.


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(*) No combate, os franceses, comandados pelo condestável Charles I d'Albret, foram totalmente batidos pelos arqueiros ingleses num dos maiores desastres militares da história da França, que perdeu, além do condestável, 12 outros membros da alta nobreza, 1.500 cavaleiros e mais 4.500 soldados.


Fonte: SHAKESPEARE, William. A vida do rei Henrique V, ato IV, cena III)