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sábado, 31 de agosto de 2024

Joseph-Marie, Comte de Maistre

Joseph-Marie, Comte de Maistre


French philosophical writer, b. at Chambéry, in Savoy, in 1753, when Savoy did not belong to France; d. at Turin, 26 Feb., 1821. His family, which was of French origin, had settled in Savoy a century earlier, and had attained a high position, his father being president of the Senate. Joseph, the eldest of ten children, was a pupil of the Jesuits, who, like his parents, inspired him with an intense love of religion and detestation of the eighteenth-century philosophical rationalism, which he always resolutely opposed. In 1774 he entered the magistracy; in 1780 he was assistant fiscal advocate general; in 1788 he was appointed senator, being then thirt-five years old. Four years later, he was forced to fly before the invading French, and discharged for four years at Lausanne a confidential mission for his sovereign, the King of Sardinia. That monarch having lost the capital of his kingdom, de Maistre lived in poverty at Venice, but on the restoration of the king, went to Sardinia as keeper of the great seal (1799) and, three years later, to St. Petersburg, as plenipotentiary. This mission lasted fourteen years, till 1817. Though weakly supported by his Government, which was at times displeased with his frankness, poor amidst a lavish aristocracy, he nevertheless successfully defended the interests of his country with the Czar Alexander, who, like most of the leading personages at St. Petersburg, highly appreciated his character and his ability. He afterwards returned to Turin, to fill the post of minister of State and keeper of the great seal until his death.

sábado, 15 de abril de 2023

Conselhos de Mário Ferreira dos Santos para o desenvolvimento da inteligência


I. Leia as grandes obras da literatura universal, e procure vivê-las na imaginação e no sentimento. Recite os famosos monólogos da literatura como se fosse a própria personagem.

II. Dedique-se um pouco à arte teatral. Leia uma peça de teatro e procure interpretá-la. Os exercícios com peças teatrais facilita viver diversas vidas, o que é também um estimular da imaginação.

terça-feira, 7 de março de 2023

Arthur Schopenhauer - Dialética Erística

COMO VENCER UM DEBATE SEM PRECISAR TER RAZÃO - Arthur Schopenhauer

Um manual de patifaria intelectual? Nada mais, nada menos.

Arthur Schopenhauer (1788-1860) deixou inconcluso este livro breve e perturbador com que desmascara os esquemas da argumentação maliciosa e falsa, que sempre estão na moda.

Por mais de um século a "Dialética Erística" ficou praticamente ignorada, até que o renascimento dos estudos sobre retórica e persuasão viesse tirá-la do esquecimento, mostrando seu potencial explosivo.

Nesta edição, com o título de "Como vencer um debate sem precisar ter razão", o texto é enriquecido por comentários e notas do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, que seu "O Imbecil Coletivo" consagrou como um expert no desmascaramento da pseudo-argumentação.

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Abaixo segue a lista feita por Schopenhauer.


sábado, 4 de março de 2023

Frase de Olavo de Carvalho

O mundo entrou na era do caos sangrento a partir do instante em que os homens deixaram de ser julgados por seus atos e passaram a sê-lo pelos ideais que alegam. Impor esse novo critério a toda a sociedade foi a maior vitória do espírito revolucionário sobre a normalidade humana. Enquanto essa distorção monstruosa não for eliminada da atmosfera cultural, o mundo não terá um momento de paz.

quarta-feira, 1 de março de 2023

Olavo de Carvalho - Amor correspondido

“Então você vai ver o seguinte, que primeiro você quer conquistar a simpatia. Para conquistar a simpatia, você precisa mostrar interesse pelas pessoas. Só que se você estiver interessado nelas só para conquistar simpatia, você não está verdadeiramente interessado: o seu foco de atenção não é nelas, mas [em] você, então isso daí vai falhar. Então a prática disso: ensinar a você a ter interesse genuíno pelas pessoas. Ou seja, eu não preciso pensar na simpatia. Por quê? Porque ela está implícita, eu vou ter simpatia de qualquer maneira. Se eu estiver realmente interessado em ouvir a pessoa, ela vai simpatizar comigo mesmo que eu não esteja pensando nisso; então para que eu vou tentar conquistar simpatia, se a simpatia já vem embutida? Então o foco desloca da conquista de simpatia para o interesse genuíno, e assim [sucede] em muitas outras coisas. Quer dizer, vai havendo uma mudança do eixo da conduta, e daí você vai ver que a simpatia que você quer conquistar não vale a pena o esforço, porque ela é muito fácil.

Por exemplo, eu tenho uma teoria: não existe amor não correspondido. Isso aí eu digo e as pessoas às vezes não entendem. Vamos dizer, o seu amor é não correspondido quando você está morrendo de dó de você mesmo porque aquela pessoa não prestou atenção em você. Então você está mortalmente apaixonado por si mesmo, você está cuidando de si mesmo, então é claro que a mulher nem vai ligar para você. Mas se você tiver verdadeiro amor por ela, quiser o bem dela, quiser a felicidade dela e esquecer de você, ela vai amar você de qualquer jeito. É irresistível. Então o problema não é como eu vou conquistar o amor da fulaninha, não: [o problema é:] como eu vou amá-la verdadeiramente! Na hora que você tiver isso, é irresistível; só se for uma pessoa totalmente pervertida e louca que não quer… Tem gente que é assim, tem duas ou três que são assim. Cuidado com essas. Aquela [que pensa]: “Ah, você tem amor por mim? Então você não presta, tem que apanhar”. Tem mulher que só judia do cara; quer dizer, quando o maltrata é porque [ele] gosta dela; [e] quanto mais sincero for o amor, mas ela vai maltratar. Essa, você dá um pontapé no traseiro e esqueça, é uma pervertida. Mas, em geral, com pessoas normais o amor é sempre correspondido.

Às vezes pode não ser correspondido no mesmo nível que você quer por uma impossibilidade: a mulher está casada com seu fulano, e você está lá apaixonado por ela, o que você quer? Ela vai amar você, mas isto não quer dizer que ela vai sair e ir para cama com você. Então você trate de se acostumar, falar: “Olha, nós vamos ter esse amor pelo resto de nossas vidas, mas não podemos chegar em certos finalmentes, não está certo isto”. Inclusive, você querer por toda lei conquistar a mulher nessa condição não é verdadeiro amor, porque você está querendo o mal dela. Olha, o amor é um negócio assim que vem a atração, a paixão, o tesão junto com a verdadeira bondade e generosidade, e de uma tal maneira que uma coisa é indiscernível da outra: só aí você tem amor. Se houver dualismo, acabou, não funciona.

Então, por exemplo, você está apaixonado pela fulaninha. Você tem certeza de que casar com você é a melhor coisa que ela pode fazer na vida dela? [Você pode afirmar:] “Não tem outro melhor para você do que eu!”. Você tem certeza disto? Se você não tem certeza, com que direito você quer isso para a mulher, e ainda diz que é por amor? Você quer é ferrar com a vida dela. Agora, se você pensar e falar: “Não, de fato, ela não vai ter um melhor do que eu, eu sou o melhor porque eu sou mais sincero, eu gosto realmente dela, eu sou isso, eu sou aquilo e ainda sou bonito e gostoso, etc. etc. Então eu quero isso para ela porque eu quero que ela seja feliz.” Então você não vai chegar com timidez e tal porque você sabe que o que você está oferecendo é bom. E se ela não quiser, então é uma cretina.

Através da cultura você vai esquecendo de si mesmo e passa a ter preocupações maiores que o abrangem e que resolvem aquelas primeiras: é assim que faz a passagem [para outro plano de compreensão]. Então… [você deixa] o subjetivismo da adolescência… [porque] você sabe… a hora que você [vai] perceber que você tem verdadeiro amor por uma pessoa ou por várias pessoas, não só no domínio sexual evidentemente. E note bem: se você tem verdadeiro amor e esse amor é rejeitado, você não se sente deprimido, você não se sente diminuído, você fica é com dó da pessoa, você fala: “Mas que cretina! Essa mulher não quer, ela quer se ferrar. Que se dane, não estou aqui para perder tempo com idiota.” Quer dizer, à medida que a sua preocupação vai subindo, você vai perdendo aquele medo, aquele temor de não ser aceito, de não ser gostado. Porque ser gostado é a coisa mais fácil do mundo, gente!, para que perder tanto tempo com essa besteira? Não precisa! Tenha um interesse genuíno, tenha um amor verdadeiro pelas pessoas, e elas vão gostar de você; e se não gostar, aí você vai ter a certeza de que são idiotas. Em suma, aos poucos, você vai se extraindo do julgamento dos outros na medida em que você adquire a certeza das suas intenções. Não é que você vai desprezar a opinião dos outros — a gente nunca deve desprezar a opinião do outro — simplesmente você não precisa dela porque você já sabe o que você está fazendo. E eu acho que isso responde as duas perguntas.”

Fonte: COF 17

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Olavo de Carvalho e o Amor

"O sentimento segue aquilo que amamos. Se amamos o que é verdadeiro, bom e belo, ele nos conduzirá para lá. O problema, portanto, não é sentir, mas amar as coisas certas. Do mesmo modo, o pensamento não é guia de si próprio, mas se deixa levar pelos amores que temos. Sentir ou conhecer, nenhum dos dois é um guia confiável. Antes de poder seguir qualquer um dos dois, é preciso aprender a escolher os objetivos do amor - e o critério dessa escolha é: Quais são as coisas que, se dependessem de mim, deveriam durar para sempre? Há coisas que são boas por alguns instantes, outras por algum tempo. Só algumas são para sempre" (Olavo de Carvalho).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Olavo de Carvalho e a Amizade

L. Szondi ensinava que a ESCOLHA DAS AMIZADES é um dos fatores determinantes do destino. Não se prostituam por mero respeito humano. Procurem a amizade dos melhores e, sem brigar, evitem os piores.

domingo, 25 de dezembro de 2022

Arquimedes, contador de areia



Tradução


"Há quem pense, Rei Gelão, que o número de grãos de areia é infinito. E quando menciono areia refiro-me não só aquela que existe em Siracusa e no resto da Sicilia mas também àquela que se encontra nas outras regiões, sejam elas habitadas ou desabitadas. Mais uma vez, há quem, sem considerá-lo infinito, pense que nenhum número foi ainda nomeado que seja suficientemente grande para exceder a sua multiplicidade. E é claro que aqueles que têm esta opinião, se imaginassem uma massa de areia tão grande como a massa da terra, incluindo nesta todos os mares e depressões da terra preenchidas até uma altura igual à mais alta das montanhas, estariam muito longe ainda de reconhecer que qualquer número poderia ser expresso de tal forma que excedesse a multiplicidade da areia aí existente. Mas eu tentarei mostrar-vos, através de provas geométricas que conseguireis acompanhar que, dos números nomeados por mim e que constam no trabalho que enviei a Zeuxipo, alguns excedem, não só o número da massa de areia igual em magnitude à da terra preenchida da maneira que atrás referi, mas também da massa igual em magnitude à do universo. Ora, vós estais por certo conscientes de que 'universo' é o nome dado por muitos astrónomos à esfera cujo centro é o centro da terra e cujo raio é igual à linha recta entre o centro do sol e o centro da terra. Esta é a definição comum, como tendes ouvido dos astrónomos. Mas Aristarco de Samos escreveu um livro no qual as premissas levam ao resultado de que o universo é muitas vezes maior do que aquele que é agora considerado. A hipótese dele é que as estrelas fixas e o sol permanecem imóveis, que a terra gira em torno do sol na forma de uma circunferência, que o sol permanece no centro da órbita e que a esfera das estrelas fixas, situada relativamente perto do centro do sol, é tão grande que o círculo em que ele supõe que a terra gira suporta uma proporção, relativamente à distância das estrelas fixas tal como o centro da esfera suporta relativamente à sua superfície. É fácil de ver que isto é impossível; pois dado que o centro da esfera não tem dimensão, não o podemos conceber para suportar qualquer proporção relativamente à superfície da esfera. Temos contudo de aceitar que Aristarco assim pense pela nossa parte, porque consideramos a terra como se fosse o centro do universo, a proporção que a terra suporta relativamente àquilo que descrevemos como sendo o 'universo' é igual à proporção da esfera contendo o círculo em que ele supõe que a terra gira comparativamente à esfera das estrelas fixas. Pois ele faz uma adaptação dos seus resultados às demonstrações tendo em conta hipóteses deste tipo, e em particular parece que ele supõe que a magnitude da esfera que representa a terra em movimento é igual à magnitude daquilo a que chamamos o 'universo'. Então eu digo que, mesmo que uma esfera constituída por uma tão elevada quantidade de areia como sendo comparativa à da esfera das estrelas fixas, como supõe Aristarco, eu continuarei a demonstrar que, dos números mencionados nos "Princípios", alguns excedem em multiplicidade o número da areia igual em magnitude à esfera atrás referida, desde que as seguintes suposições sejam feitas.






domingo, 13 de novembro de 2022

An Aristocracy Essential To The Constitution Of A State

A true natural aristocracy is not a separate interest in the State, or separable from it. It is formed out of a class of legitimate presumptions, which, taken as generalities, must be admitted for actual truths. To be bred in a place of to see nothing low and sordid from one s infancy ; to be taught to respect one s self ; to be habituated to the censorial inspection of the public eye ; to look early to public opinion ; to stand upon such elevated ground as to be enabled to take a large view of the widespread and infinitely diversified combinations of men and affairs in a large society ; to have leisure to read, to reflect, to converse ; to be enabled to draw the court and attention of the wise and learned wherever they are to be found ; to be habituated in armies to command and to obey ; to be taught to despise danger in the pursuit of honour and duty ; to be formed to the greatest degree of vigilance, foresight, and circumspection, in a state of things in which no fault is committed with impunity, and the slightest mistakes draw on the most ruinous conse quences ; to be led to a guarded and regulated conduct from a sense that you are considered as an instructor of your fellow-citizens in their highest concerns, and that you act as a reconciler between God and man ; to be employed as an administrator of law and justice, and to be thereby among the first benefactors to mankind ; to be a professor of high science, or of liberal and ingenious art ; to be among rich traders, who, from their success, are presumed to have sharp and vigorous understandings, and to possgss the virtues of diligence, order, constancy, and regularity, and to have cultivated an habitual regard to commutative justice these are the circumstances of men that form what I should call a natural aristocracy, without which there is no nation. The state of civil society, which necessarily generates this aristocracy, is a state of nature ; and much more truly so than a savage and incoherent mode of life. For man is, by nature, reasonable ; and he is never perfectly in his natural state but when he is placed where reason may be best cultivated and most predominates. Art is man s nature. We are as much, at least, in a state of nature in formed manhood as in immature and helpless infancy. Men, qualified in the manner I have just described, form in Nature, as she operates in the common modification of society, the leading, guiding, and governing part. It is the soul to the body, without which the man does not exist. To give, therefore, no more importance, in the social order, to such descriptions of men than that of so many units is a horrible usurpation.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Monarquia (Roger Scruton)

MONARQUIA

Se a escolha democrática deve ser racional, ela deve, portanto, ocupar um lugar no contexto das instituições e dos procedimentos que dão voz às gerações ausentes. Essas instituições e procedimentos instigariam nos representantes uma atitude administrativa, por meio da qual as demandas imediatas dos vivos poderiam ser moderadas ou desviadas em benefício do futuro distante da sociedade. Tal instituição é a monarquia, como é concebida tradicionalmente. Não sendo eleito por voz popular, o monarca não pode ser compreendido simplesmente como representante dos interesses da geração atual.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Chesterton e as pequenas comunidades

Não é elegante, hoje em dia, tecer muitos comentários a respeito das vantagens da pequena comunidade. Dizem que devemos participar de vastos impérios e cultivar idéias grandiosas. Há uma vantagem, contudo, num pequeno Estado, cidade ou vila, que apenas os deliberadamente cegos conseguem deixar de ver: o homem que vive na pequena comunidade vive num mundo mais amplo. Sabe muito mais sobre as diversidades ameaçadoras e as divergências intrasigentes dos homens. O motivo é óbvio. Numa grande comunidade, podemos escolher nossos parceiros. Numa comunidade pequena, os parceiros não são escolhidos. Assim, em todas as sociedades grandes e altamente civilizadas surgem grupos baseados no que chamamos de afinidade, e excluem o mundo real de um mundo mais brusco dos que os portões de um monastério.

domingo, 23 de outubro de 2022

Pio XII explica a diferença entre "povo" e "massa"

Trecho da rádio-mensagem de Natal do papa Pio XII, em 1944:

Povo e multidão amorfa ou, como se costuma dizer, «massa», são dois conceitos diversos. O povo vive e se move com vida própria; a massa é por si mesma inerte, e não pode receber movimento sem ser de fora. O povo vive da plenitude da vida dos homens que a compõem, cada um dos quais — em seu próprio lugar e a sua maneira — é pessoa consciente de suas próprias responsabilidades e de suas convicções próprias. A massa, pelo contrário, espera o impulso de fora, joguete fácil nas mãos de um qualquer que explora seus instintos ou impressões, disposta a seguir, cada vez uma, hoje esta, amanhã aquela outra bandeira. Da exuberância de vida de um povo verdadeiro, a vida se difunde abundante e rica no Estado e em todos os seus órgãos, infundindo neles com vigor, que se renova incessantemente, a consciência da própria responsabilidade, o verdadeiro sentimento do bem comum. Da força elementar da massa, habilmente manipulada e usada, pode também servir-se o Estado: nas mãos ambiciosas de um só ou de muitos agrupados artificialmente por tendências egoístas, pode o mesmo Estado, com o apoio da massa reduzida a não ser mais que uma simples máquina, impor seu arbítrio à melhor parte do verdadeiro povo: assim o interesse comum fica gravemente ferido e por muito tempo, e a ferida é muitas vezes dificilmente curável.