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terça-feira, 7 de março de 2023

Arthur Schopenhauer - Dialética Erística

COMO VENCER UM DEBATE SEM PRECISAR TER RAZÃO - Arthur Schopenhauer

Um manual de patifaria intelectual? Nada mais, nada menos.

Arthur Schopenhauer (1788-1860) deixou inconcluso este livro breve e perturbador com que desmascara os esquemas da argumentação maliciosa e falsa, que sempre estão na moda.

Por mais de um século a "Dialética Erística" ficou praticamente ignorada, até que o renascimento dos estudos sobre retórica e persuasão viesse tirá-la do esquecimento, mostrando seu potencial explosivo.

Nesta edição, com o título de "Como vencer um debate sem precisar ter razão", o texto é enriquecido por comentários e notas do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, que seu "O Imbecil Coletivo" consagrou como um expert no desmascaramento da pseudo-argumentação.

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Abaixo segue a lista feita por Schopenhauer.


sábado, 4 de março de 2023

Frase de Olavo de Carvalho

O mundo entrou na era do caos sangrento a partir do instante em que os homens deixaram de ser julgados por seus atos e passaram a sê-lo pelos ideais que alegam. Impor esse novo critério a toda a sociedade foi a maior vitória do espírito revolucionário sobre a normalidade humana. Enquanto essa distorção monstruosa não for eliminada da atmosfera cultural, o mundo não terá um momento de paz.

quarta-feira, 1 de março de 2023

Olavo de Carvalho - Amor correspondido

“Então você vai ver o seguinte, que primeiro você quer conquistar a simpatia. Para conquistar a simpatia, você precisa mostrar interesse pelas pessoas. Só que se você estiver interessado nelas só para conquistar simpatia, você não está verdadeiramente interessado: o seu foco de atenção não é nelas, mas [em] você, então isso daí vai falhar. Então a prática disso: ensinar a você a ter interesse genuíno pelas pessoas. Ou seja, eu não preciso pensar na simpatia. Por quê? Porque ela está implícita, eu vou ter simpatia de qualquer maneira. Se eu estiver realmente interessado em ouvir a pessoa, ela vai simpatizar comigo mesmo que eu não esteja pensando nisso; então para que eu vou tentar conquistar simpatia, se a simpatia já vem embutida? Então o foco desloca da conquista de simpatia para o interesse genuíno, e assim [sucede] em muitas outras coisas. Quer dizer, vai havendo uma mudança do eixo da conduta, e daí você vai ver que a simpatia que você quer conquistar não vale a pena o esforço, porque ela é muito fácil.

Por exemplo, eu tenho uma teoria: não existe amor não correspondido. Isso aí eu digo e as pessoas às vezes não entendem. Vamos dizer, o seu amor é não correspondido quando você está morrendo de dó de você mesmo porque aquela pessoa não prestou atenção em você. Então você está mortalmente apaixonado por si mesmo, você está cuidando de si mesmo, então é claro que a mulher nem vai ligar para você. Mas se você tiver verdadeiro amor por ela, quiser o bem dela, quiser a felicidade dela e esquecer de você, ela vai amar você de qualquer jeito. É irresistível. Então o problema não é como eu vou conquistar o amor da fulaninha, não: [o problema é:] como eu vou amá-la verdadeiramente! Na hora que você tiver isso, é irresistível; só se for uma pessoa totalmente pervertida e louca que não quer… Tem gente que é assim, tem duas ou três que são assim. Cuidado com essas. Aquela [que pensa]: “Ah, você tem amor por mim? Então você não presta, tem que apanhar”. Tem mulher que só judia do cara; quer dizer, quando o maltrata é porque [ele] gosta dela; [e] quanto mais sincero for o amor, mas ela vai maltratar. Essa, você dá um pontapé no traseiro e esqueça, é uma pervertida. Mas, em geral, com pessoas normais o amor é sempre correspondido.

Às vezes pode não ser correspondido no mesmo nível que você quer por uma impossibilidade: a mulher está casada com seu fulano, e você está lá apaixonado por ela, o que você quer? Ela vai amar você, mas isto não quer dizer que ela vai sair e ir para cama com você. Então você trate de se acostumar, falar: “Olha, nós vamos ter esse amor pelo resto de nossas vidas, mas não podemos chegar em certos finalmentes, não está certo isto”. Inclusive, você querer por toda lei conquistar a mulher nessa condição não é verdadeiro amor, porque você está querendo o mal dela. Olha, o amor é um negócio assim que vem a atração, a paixão, o tesão junto com a verdadeira bondade e generosidade, e de uma tal maneira que uma coisa é indiscernível da outra: só aí você tem amor. Se houver dualismo, acabou, não funciona.

Então, por exemplo, você está apaixonado pela fulaninha. Você tem certeza de que casar com você é a melhor coisa que ela pode fazer na vida dela? [Você pode afirmar:] “Não tem outro melhor para você do que eu!”. Você tem certeza disto? Se você não tem certeza, com que direito você quer isso para a mulher, e ainda diz que é por amor? Você quer é ferrar com a vida dela. Agora, se você pensar e falar: “Não, de fato, ela não vai ter um melhor do que eu, eu sou o melhor porque eu sou mais sincero, eu gosto realmente dela, eu sou isso, eu sou aquilo e ainda sou bonito e gostoso, etc. etc. Então eu quero isso para ela porque eu quero que ela seja feliz.” Então você não vai chegar com timidez e tal porque você sabe que o que você está oferecendo é bom. E se ela não quiser, então é uma cretina.

Através da cultura você vai esquecendo de si mesmo e passa a ter preocupações maiores que o abrangem e que resolvem aquelas primeiras: é assim que faz a passagem [para outro plano de compreensão]. Então… [você deixa] o subjetivismo da adolescência… [porque] você sabe… a hora que você [vai] perceber que você tem verdadeiro amor por uma pessoa ou por várias pessoas, não só no domínio sexual evidentemente. E note bem: se você tem verdadeiro amor e esse amor é rejeitado, você não se sente deprimido, você não se sente diminuído, você fica é com dó da pessoa, você fala: “Mas que cretina! Essa mulher não quer, ela quer se ferrar. Que se dane, não estou aqui para perder tempo com idiota.” Quer dizer, à medida que a sua preocupação vai subindo, você vai perdendo aquele medo, aquele temor de não ser aceito, de não ser gostado. Porque ser gostado é a coisa mais fácil do mundo, gente!, para que perder tanto tempo com essa besteira? Não precisa! Tenha um interesse genuíno, tenha um amor verdadeiro pelas pessoas, e elas vão gostar de você; e se não gostar, aí você vai ter a certeza de que são idiotas. Em suma, aos poucos, você vai se extraindo do julgamento dos outros na medida em que você adquire a certeza das suas intenções. Não é que você vai desprezar a opinião dos outros — a gente nunca deve desprezar a opinião do outro — simplesmente você não precisa dela porque você já sabe o que você está fazendo. E eu acho que isso responde as duas perguntas.”

Fonte: COF 17

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Olavo de Carvalho e o Amor

"O sentimento segue aquilo que amamos. Se amamos o que é verdadeiro, bom e belo, ele nos conduzirá para lá. O problema, portanto, não é sentir, mas amar as coisas certas. Do mesmo modo, o pensamento não é guia de si próprio, mas se deixa levar pelos amores que temos. Sentir ou conhecer, nenhum dos dois é um guia confiável. Antes de poder seguir qualquer um dos dois, é preciso aprender a escolher os objetivos do amor - e o critério dessa escolha é: Quais são as coisas que, se dependessem de mim, deveriam durar para sempre? Há coisas que são boas por alguns instantes, outras por algum tempo. Só algumas são para sempre" (Olavo de Carvalho).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Olavo de Carvalho e a Amizade

L. Szondi ensinava que a ESCOLHA DAS AMIZADES é um dos fatores determinantes do destino. Não se prostituam por mero respeito humano. Procurem a amizade dos melhores e, sem brigar, evitem os piores.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Inteligência e Verdade

Olavo de Carvalho


Apostilas do Seminário de Filosofia - 15. Inteligência e verdade
Duas aulas do Seminário de Filosofia, Curitiba, agosto de 1994
Transcrição de Luciane Amato, não revista pelo autor.


1. Definição


Inteligência, no sentido em que aqui emprego a palavra, no sentido que tem etimologicamente e no sentido em que se usava no tempo em que as palavras tinham sentido, não quer dizer a habilidade de resolver problemas, a habilidade matemática, a imaginação visual, a aptidão musical ou qualquer outro tipo de habilidade em especial. Quer dizer, da maneira mais geral e abrangente, a capacidade de apreender a verdade. A inteligência não consiste nem mesmo em pensar. Quando pensamos, mas o nosso pensamento não capta propriamente o que é verdade naquilo que pensa, então o que está em ação nesse pensar não é propriamente a inteligência, no rigor do termo, mas apenas o desejo frustrado de inteligir ou mesmo o puro automatismo de um pensar ininteligente. O pensar e o inteligir são atividades completamente distintas. A prova disto é que muitas vezes você pensa, pensa, e não intelige nada, e outras vezes intelige sem ter pensado, numa súbita fulguração intuitiva.


segunda-feira, 2 de maio de 2022

Pela restauração intelectual do Brasil

Olavo de Carvalho

Diário do Comércio, 4 de setembro de 2006

Os artigos que aqui publiquei em 13 e 27 de fevereiro ( http://www.olavodecarvalho.org/semana/060213dc.htm e http://www.olavodecarvalho.org/semana/060227dc.htm ) rendem até hoje cartas e perguntas que não posso responder uma a uma. Elas refletem não só o anseio inatendido de conhecimento por parte de tantos estudantes brasileiros, mas uma necessidade mais profunda e geral. Um país não pode sobreviver por muito tempo sem alguma vida intelectual na qual ele se enxergue e se reconheça como unidade histórica, cultural e espiritual. Isso falta totalmente no Brasil de hoje. As discussões públicas entre pessoas supostamente letradas perdem-se em fatos isolados, em tagarelice ideológica sem nenhum proveito ou na exteriorização fortuita de impressões grupais totalmente alienadas. Já não apreendem nem a nação como conjunto, nem muito menos a sua situação no mundo, na civilização, na História. O Brasil tornou-se invisível a si mesmo, e na treva geral crescem monstros. Talvez o mais feio deles seja justamente a esperança cretina de livrar-se de todos os outros a curto prazo, mediante ações práticas na esfera política, saltando sobre a necessidade prévia da restauração intelectual. Nenhum ser humano ou país está mais louco do que aquele que acredita poder resolver todos os seus problemas primeiro, para tornar-se inteligente depois. A inteligência não é o adorno do vitorioso, é o caminho da vitória. Não é a cereja do bolo, é a fórmula do bolo. Quando chegarão os brasileiros a compreender uma coisa tão óbvia? Quando chegarão a compreender que nem tudo pode ser resolvido com formulinhas prontas, com pragmatismos rotineiros, com improvisos imediatistas ou mesmo com técnicas da moda, por avançadas que sejam, se não há por trás delas uma inteligência bem formada, poderosa, capaz de transcendê-las infinitamente e por isso, só por isso, capaz de manejá-las com acerto? A sólida estupidez do petismo triunfante é a culminação de pelo menos cem anos de desprezo ao conhecimento. A aposta obsessivamente repetida no poder mágico da ignorância esperta levou finalmente ao resultado inevitável: a bancarrota cultural, moral e política.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Vocações e equívocos

Olavo de Carvalho

Bravo!, fevereiro de 2000

Se você escreve, ou pinta, ou faz sermões na igreja, ou toca música, ou monta a cavalo, ou tira fotos, ou faz qualquer outra coisa que pareça interessante, já deve ter ouvido mil vezes a pergunta: "Você faz isso por dinheiro ou por prazer?" Tão infinitamente repetível é essa fórmula, que ela deve revelar algum traço profundo e permanente do modo brasileiro de ver as coisas – um lugar-comum ou topos da nossa retórica diária.

sábado, 11 de setembro de 2021

A mensagem de Viktor Frankl

Olavo de Carvalho

Bravo!, novembro de 1997

No dia 2 de setembro [de 1997] morreu, aos 92 anos, um dos homens realmente grandes deste século. Acabo de escrever isto e já tenho uma dúvida: não sei se o médico judeu austríaco Viktor Frankl pertenceu mesmo a este século. Pois ele só viveu para devolver aos homens o que o século XX lhes havia tomado - e não poderia fazê-lo se não fosse, numa época em que todos se orgulham de ser "homens do seu tempo", alguém muito maior do que o século.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Frase de Olavo de Carvalho sobre Eleições

Aos meus alunos: Nossa missão não é entrar na luta partidária, mas defender, conservar e enriquecer o patrimônio cultural da nação brasileira e da língua portuguesa. Não é disputar carguinhos no Parlamento ou influenciar eleições. É conquistar e conservar, por obras de mérito, a suprema autoridade intelectual e impor, pelo exemplo do nosso trabalho, um novo e mais alto padrão de moralidade que inspire ao povo a confiança nos valores essenciais e aos poderosos do dia o temor de infringi-los. Não é disputar cadeiras no parlamento, nas prefeituras, nos governos estaduais, nos ministérios ou mesmo na presidência da República. É disputar e tomar, pela superioridade intelectual avassaladora, cada cátedra universitária, cada coluna de jornal, cada espaço na TV e no mundo editorial, sem deixar um só lugarzinho vago para os picaretas, os cabos eleitorais e os aproveitadores. Isso é um milhão de vezes mais importante do que qualquer eleição.

sábado, 15 de agosto de 2020

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Ateísmo e Juventude


“O ateísmo, em geral, é uma opção de juventude, prévia a qualquer consideração racional do assunto, e uma vez tomada não lhe resta senão racionalizar-se a posteriori mediante artifícios que serão mais ou menos engenhosos conforme a aptidão e a demanda pessoal de argumentos. Não se conhece um único caso célebre de pensador que tenha chegado ao ateísmo na idade madura, por força de profundas reflexõ...es e por motivos intelectuais relevantes. Ademais, toda fé religiosa coexiste, quase que por definição, com as dúvidas e as crises, ao passo que o ateísmo militante tem sempre a típica rigidez cega das crenças de adolescente. O ateísmo militante é, pos si, um grave sinal de imaturidade intelectual” (Olavo de Carvalho, in “O Jardim das Aflições”, rodapé da pg. 100).

segunda-feira, 23 de março de 2020

A Busca do Milênio - A continuidade histórica do movimento revolucionário

[O texto abaixo foi baseado numa palestra de Murray Rothbard sobre o surgimento do comunismo.]

O livro magistral de Norman Cohn, "The Pursuit of the Millenium, Revolutionary messianism in medieval and Reformation Europe and its bearing on modern totalitarian movements" (1957, reimpresso em edição expandida em 1961), que foi resultado de 10 anos de estudos, descreve com detalhes sardônicos a emergência dos movimentos revolucionários no fim do século XII.

Se referindo aos primeiros movimentos comunistas, Cohn afirma que "É característico desse tipo de movimento que seus objetivos e premissas não tenham limite... Qualquer que sejam suas histórias individuais, coletivamente essas pessoas formam um estrato social reconhecível - uma intelligentsia inconformada e de bastante baixo nível... e o que se seguia a elas foi a formação de um grupo de um tipo peculiar, um verdadeiro protótipo do partido totalitário moderno."



terça-feira, 29 de outubro de 2019

Derrubando a História Oficial de 1964

por Olavo de Carvalho - 22/12/2010

Resumo:
Ladislav Bittman
Você acredita que os americanos tramaram o golpe de 31 de março? Pois aqui o ex-chefe da espionagem soviética no Brasil conta quem inventou essa história: foi ele mesmo.