domingo, 30 de setembro de 2018
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
sábado, 22 de setembro de 2018
Discurso de Marco Antônio nos Funerais de César
Charlton Heston, 1950.
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Marlon Brando, 1953.
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DISCURSO DE MARCO ANTÔNIO NOS FUNERAIS DE CÉSAR
Amigos, romanos, compatriotas, prestai-me atenção! Estou aqui para sepultar César, não para glorificá-lo. O mal que os homens fazem perdura depois deles! O bem é quase sempre sepultado com seus próprios ossos! Que assim seja com César!
O nobre Brutus vos disse que César era ambicioso. Se assim foi, era uma grave falta e César a pagou gravemente. Aqui, com a permissão de Brutus e dos demais – pois Brutus é um homem honrado, como todos os demais são homens honrados -, venho falar nos funerais de César. Era meu amigo, leal e justo comigo; mas Brutus diz que era ambicioso, e Brutus é um homem honrado. Trouxe muitos cativos para Roma, cujos resgates encheram os cofres do Estado. César, neste particular, parecia ambicioso? Quando os pobres deixavam ouvir suas vozes lastimosas, César derramava lágrimas. A ambição deveria ter um coração mais duro! Entretanto, Brutus disse que ele era ambicioso e Brutus é um homem honrado. Todos vós o viste nas Lupercais: três vezes eu lhe apresentei uma coroa real e, três vezes ele a recusou. Isto era ambição? Entretanto, Brutus disse que ele era ambicioso e, sem dúvida alguma, Brutus é um homem honrado. Não falo para desaprovar o que Brutus disse, mas aqui estou para falar sobre aquilo que sei! Todos vós já o amastes, não sem motivo. Que razão, então, vos detém, agora, para pranteá-lo? Oh! Inteligência, fugiste para os irracionais, pois os homens perderam o juízo!... Desculpai-me! Meu coração está ali com César, e preciso esperar até que ele para mim volte!
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Ainda ontem, a palavra de César podia ser mais forte do que o Universo! Agora, ali ele jaz e ninguém, mesmo que seja o mais miserável possível, não lhe presta uma só homenagem! Ó senhores, se estivesse disposto a excitar vossos corações e vossos espíritos para o motim e a cólera, seria injusto com Brutus e com Cassius, os quais, como todos vós sabeis, são homens honrados. Não quero ser injusto com eles! Prefiro ser injusto com o morto, comigo e convosco, a ser injusto com homens tão honrados! Mas aqui está um pergaminho com o selo de César. Eu o encontrei no gabinete dele: são as suas últimas vontades. Ouça somente o povo este testamento – embora, desculpai-me, não pretenda lê-lo -, e irá beijar as feridas de César morto, mergulhando os lenços em seu sangue sagrado! Mendigará um cabelo como relíquia e, quando morrer, o mencionará nos testamentos, para transmiti-lo, como precioso legado, para sua descendência.
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Sede pacientes, amáveis amigos! Não devo lê-lo! Não é conveniente que saibais quanto César vos amava! Não sois de madeira, não sois de pedra, mas sois humanos e, sendo homens, ao ouvirdes o testamento de César, ficareis inflamados, ficareis enlouquecidos. Não é bom que saibais que sois os herdeiros dele, se vós o soubésseis, oh que poderia acontecer?
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Tereis paciência? Esperareis um pouco? Fui longe demais contando-vos isto. Temo ser injusto com os homens honrados, cujos punhais feriram César! É o que temo!
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Quereis compelir-me então a ler o testamento? Pois, então, formai um círculo em torno do cadáver de César e deixai-me mostrar-vos aquele que fez o testamento. Posso descer? Vós dareis vossa permissão?
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Se tiverdes lágrimas, preparai-vos agora para derramá-las. Todos vós conheceis este manto; lembro-me da primeira vez que César o usou. Era uma tarde de verão, dentro da tenda, no dia em que venceu os nérvios. Olhai: por este lugar penetrou o punhal de Cássio! Vede que rasgão abriu o invejoso Casca! Por este, o bem-amado Brutus o feriu! E, ao retirar o maldito aço, observai como o sangue de César parece que se lançou atrás dele, como se quisesse certificar-se de que era ou não Brutus quem tão desumanamente abria a porta! Porque Brutus, como sabeis, era o anjo de César! Julgai-o, ó deuses, com que ternura César o amava! Esse foi o mais cruel de todos os golpes, pois, quando o nobre César viu que ele o feria, a ingratidão, mais poderosa do que os braços dos traidores, venceu-o completamente! Então, estalou seu poderoso coração e, cobrindo o rosto com o manto, o grande César caiu aos pés da estátua de Pompeu, onde o sangue não parava de jorrar... Oh! Que queda foi aquela, meus compatriotas! Naquele momento, eu, vós e todos caímos, enquanto triunfava sobre nós a traição sangrenta! Oh! Estais chorando agora e percebo que sentis a marca da piedade! São lágrimas generosas! Almas bondosas, porque chorais, quando só vistes ainda as feridas do manto de César? Olhai: aqui está o próprio César, como estais vendo, desfigurado pelos traidores!
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Bons amigos, amáveis amigos, não me deixeis excitar-vos com esta repentina explosão de revolta! Aqueles que consumaram este ato são homens honrados. Quais eram as queixas secretas que tinham para fazê-lo? Ai! É o que ignoro. Eles são sensatos e honrados e, sem dúvida, apresentarão a todos vós as razões que possuíam. Não vim aqui, meus amigos, para roubar vossos corações! Não sou orador como Brutus, mas como todos vós sabeis, um homem franco e simples que amava meu amigo e isso sabem perfeitamente bem os que me deram publicamente licença para falar a respeito dele. Não tenho espírito, nem palavras, nem mérito, nem ação, nem eloqüência, nem o poder da palavra capazes de excitar o sangue dos homens! Falo muito claramente e só vos digo o que todos vós já sabeis. Estou mostrando as feridas do bondoso César, pobres bocas mudas e peço-lhes que falem por mim! Se eu fosse Brutus, e se Brutus fosse Antônio, esse Antônio perturbaria a serenidade de vossos espíritos e colocaria uma língua em cada uma das feridas de César, capaz de comover e levantar em motim as pedras de Roma!
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Amigos, não sabeis o que ides fazer! Que fez César para assim merecer vossos afetos? Ai, vós o ignorais! Devo, então, dizer-vos. Esquecestes o testamento de que vos falei.
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Aqui está ele e com o selo de César. A cada cidadão romano, a cada homem, individualmente, ele lega setenta e cinco dracmas.
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Além disso, ele vos deixa todos os seus passeios, seus jardins privados, seus pomares recém-plantados deste lado do Tibre. Lega-os perpetuamente para vós e para vossos herdeiros como parques públicos, para que possais passear e divertir-vos. Aqui estava um César. Quando aparecerá outro?
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Fonte: SHAKESPEARE, William. "Júlio César". In: Obras Completas, Vol. I. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1969.
quinta-feira, 20 de setembro de 2018
Discurso de Henrique V na Batalha de Agincourt
Kenneth Branagh, 1989.
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O DISCURSO DO DIA DE SÃO CRISPIM
A cena ocorre no acampamento inglês no dia da batalha de Azincourt (25 de outubro de 1415). O rei Henrique V faz a revista em suas tropas. Os ingleses tem dez mil soldados para opor-se aos 60 mil franceses que os aguardam nas planícies de Azincourt quando é abordado pelo conde de Westmoreland (*).
O conde de Westmoreland, primo do rei, lamenta a falta de mais homens para pelo menos tentar equilibrar um pouco a enorme diferença dos efetivos de combatentes. O rei toma a palavra então:
Quem expressa esse desejo? Meu primo Westmoreland? Não, meu simpático primo; se estamos destinados a morrer, nosso país não tem necessidade de perder mais homens do que nós temos aqui; e , se devemos viver, quanto menor é o nosso número, maior será para cada um de nós a parte da honra. Pela vontade de Deus! Não desejes nenhum um homem a mais, te rogo! Por Júpiter! Não sou avaro de ouro, e pouco me importo se vivem às minhas expensas: sinto pouco que outros usem minhas roupas: essa coisas externas não encontram abrigo entre as minhas preocupações; mas se ambicionar a honra é pecado, sou a alma mais pecadora que existe.
Não, por fé, não desejeis nenhum homem mais da Inglaterra. Paz de Deus! Não quereria, pela melhor das esperanças, expor-me a perder uma honra tão grande, que um homem a mais poderia quiçá compartir comigo. Oh! Não ansieis por nenhum homem a mais! Proclama antes, através do meu exército, Westmoreland, que aquele que não for com coração à luta poderá se retirar: lhe daremos um passaporte e poremos na sua mochila uns escudos para a viagem; não queremos morrer na companhia de um homem que teme morrer como companheiro nosso.
O dia de São Crispim: este dia é o da festa de São Crispim; aquele que sobreviver esse dia voltará são e salvo ao seu lar e se colocará na ponta dos pés quando se mencionará esta data, ele crescerá sobre si mesmo ante o nome de São Crispim. Aquele que sobrevier esse dia e chegar a velhice, a cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhes dirá: "Amanhã é São Crispim". E então, arregaçando as mangas, ao mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: "Recebi estas feridas no dia de São Crispim."
Os velhos esquecerão; mas, aqueles que não esquecem de tudo, se lembrarão todavia com satisfação das proezas que levaram a cabo naquele dia. E então nossos nomes serão tão familiares nas suas bocas com os nomes dos seus parentes: o rei Harry, Bedford, Exeter, Warwick e Talbot, Salisbury e Gloucester serão ressuscitados pela recordação viva e saudados com o estalar dos copos.
O bom homem ensinará esta história ao seu filho, e desde este dia até o fim do mundo a festa de São Crispim e Crispiano nunca chegará sem que venha associada a nossa recordação, à lembrança do nosso pequeno exército, do nosso bando de irmãos; porque aquele que verter hoje seu sangue comigo, por muito vil que seja, será meu irmão, esta jornada enobrecerá sua condição e os cavaleiros que permanecem agora no leito da Inglaterra irão se considerar como malditos por não estarem aqui, e sentirão sua nobreza diminuída quando escutarem falar daqueles que combateram conosco no dia de São Crispim.
:-:-:
(*) No combate, os franceses, comandados pelo condestável Charles I d'Albret, foram totalmente batidos pelos arqueiros ingleses num dos maiores desastres militares da história da França, que perdeu, além do condestável, 12 outros membros da alta nobreza, 1.500 cavaleiros e mais 4.500 soldados.
Fonte: SHAKESPEARE, William. A vida do rei Henrique V, ato IV, cena III)
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O DISCURSO DO DIA DE SÃO CRISPIM
A cena ocorre no acampamento inglês no dia da batalha de Azincourt (25 de outubro de 1415). O rei Henrique V faz a revista em suas tropas. Os ingleses tem dez mil soldados para opor-se aos 60 mil franceses que os aguardam nas planícies de Azincourt quando é abordado pelo conde de Westmoreland (*).
O conde de Westmoreland, primo do rei, lamenta a falta de mais homens para pelo menos tentar equilibrar um pouco a enorme diferença dos efetivos de combatentes. O rei toma a palavra então:
Quem expressa esse desejo? Meu primo Westmoreland? Não, meu simpático primo; se estamos destinados a morrer, nosso país não tem necessidade de perder mais homens do que nós temos aqui; e , se devemos viver, quanto menor é o nosso número, maior será para cada um de nós a parte da honra. Pela vontade de Deus! Não desejes nenhum um homem a mais, te rogo! Por Júpiter! Não sou avaro de ouro, e pouco me importo se vivem às minhas expensas: sinto pouco que outros usem minhas roupas: essa coisas externas não encontram abrigo entre as minhas preocupações; mas se ambicionar a honra é pecado, sou a alma mais pecadora que existe.
Não, por fé, não desejeis nenhum homem mais da Inglaterra. Paz de Deus! Não quereria, pela melhor das esperanças, expor-me a perder uma honra tão grande, que um homem a mais poderia quiçá compartir comigo. Oh! Não ansieis por nenhum homem a mais! Proclama antes, através do meu exército, Westmoreland, que aquele que não for com coração à luta poderá se retirar: lhe daremos um passaporte e poremos na sua mochila uns escudos para a viagem; não queremos morrer na companhia de um homem que teme morrer como companheiro nosso.
O dia de São Crispim: este dia é o da festa de São Crispim; aquele que sobreviver esse dia voltará são e salvo ao seu lar e se colocará na ponta dos pés quando se mencionará esta data, ele crescerá sobre si mesmo ante o nome de São Crispim. Aquele que sobrevier esse dia e chegar a velhice, a cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhes dirá: "Amanhã é São Crispim". E então, arregaçando as mangas, ao mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: "Recebi estas feridas no dia de São Crispim."
Os velhos esquecerão; mas, aqueles que não esquecem de tudo, se lembrarão todavia com satisfação das proezas que levaram a cabo naquele dia. E então nossos nomes serão tão familiares nas suas bocas com os nomes dos seus parentes: o rei Harry, Bedford, Exeter, Warwick e Talbot, Salisbury e Gloucester serão ressuscitados pela recordação viva e saudados com o estalar dos copos.
O bom homem ensinará esta história ao seu filho, e desde este dia até o fim do mundo a festa de São Crispim e Crispiano nunca chegará sem que venha associada a nossa recordação, à lembrança do nosso pequeno exército, do nosso bando de irmãos; porque aquele que verter hoje seu sangue comigo, por muito vil que seja, será meu irmão, esta jornada enobrecerá sua condição e os cavaleiros que permanecem agora no leito da Inglaterra irão se considerar como malditos por não estarem aqui, e sentirão sua nobreza diminuída quando escutarem falar daqueles que combateram conosco no dia de São Crispim.
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(*) No combate, os franceses, comandados pelo condestável Charles I d'Albret, foram totalmente batidos pelos arqueiros ingleses num dos maiores desastres militares da história da França, que perdeu, além do condestável, 12 outros membros da alta nobreza, 1.500 cavaleiros e mais 4.500 soldados.
Fonte: SHAKESPEARE, William. A vida do rei Henrique V, ato IV, cena III)
terça-feira, 18 de setembro de 2018
domingo, 16 de setembro de 2018
Evolução Histórica da Hungria, Polônia, Lituânia e Tchéquia
Hungria 30000 a.C. - 2009
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Polônia 990 - 2008
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Lituânia 1240 - 2009
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Tchéquia 935 - 2010
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