terça-feira, 31 de março de 2020

Dante e a Enfermidade do Intelecto

Dante apresenta três causas morais de enfermidade do intelecto:

1) a jactância, pela qual o homem julga saber tudo, e, que, por isso, não procura adquirir ou dilatar o seu conhecimento, a sua sabedoria;

2) a pusilanimidade, que leva o homem a se julgar incapaz de adquirir sabedoria;

3) a superficialidade [levitade] pela qual o homem tirar conclusões precipitadas e indevidas, e delas extrair conseqüências incorretamente. A superficialidade faz com que o homem não queira aprofundar nenhuma investigação, o que o impede de alcançar a sabedoria, de obter o conhecimento.(Cfr. Dante, Convivio, IV, XV).

domingo, 29 de março de 2020

Sobre o Governo dos Reis

Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, O.P.

Prefácio ao opúsculo de São Tomás de Aquino, Paris, 1926.



Em uma época na qual não consideram mais a política como virtude, nem como prudência ordenada à promoção do bem comum da comunidade, mas antes a arte de transigir para conseguir e salvaguardar os interesses do partido, oprimindo a flor dos cidadãos e obrando a ruína do país, é de grande utilidade a publicação da tradução do De Regimine Principum, de São Tomás, ou pelo menos do Livro I e dos quatro primeiros capítulos do Livro II, que com certeza são dele.



sexta-feira, 27 de março de 2020

Sobre a Existência de Deus

Todas as coisas que existem são contigentes, isto é, poderiam não existir; portanto, não tem a razão de ser em si, mas noutro que existe como SER NECESSÁRIO.

A quarta via infere a partir dos graus diferentes de perfeição: ex gradius. As coisas são mais ou menos perfeitas quanto ao bem, à beleza, etc.; por conseguinte, haverá o máximo grau de perfeição de tudo, um SER PERFEITÍSSIMO, em analogia ao qual as coisas são perfeitas.

A quinta via parte da observação da ordem do universo: ex gubernatione rerum. Todas as coisas naturais, mesmo primadas de inteligência; estão claramente orientadas para um fim. Logo, deve-se admitir que existe um SER INTELIGENTE que ordena tudo para um fim; e este ser é Deus.

Deste modo, Tomás de Aquino conclui que a razão responde afirmativamente, e com múltiplas argumentações, à pergunta acerca da existência de Deus.

STACCONE, Giuseppe. Filosofia da Religião: O Pensamento do Homem Ocidental e o Problema de Deus. 2.ª ed., Petrópolis: Vozes, 1991, pp. 64-65.

segunda-feira, 23 de março de 2020

A Busca do Milênio - A continuidade histórica do movimento revolucionário

[O texto abaixo foi baseado numa palestra de Murray Rothbard sobre o surgimento do comunismo.]

O livro magistral de Norman Cohn, "The Pursuit of the Millenium, Revolutionary messianism in medieval and Reformation Europe and its bearing on modern totalitarian movements" (1957, reimpresso em edição expandida em 1961), que foi resultado de 10 anos de estudos, descreve com detalhes sardônicos a emergência dos movimentos revolucionários no fim do século XII.

Se referindo aos primeiros movimentos comunistas, Cohn afirma que "É característico desse tipo de movimento que seus objetivos e premissas não tenham limite... Qualquer que sejam suas histórias individuais, coletivamente essas pessoas formam um estrato social reconhecível - uma intelligentsia inconformada e de bastante baixo nível... e o que se seguia a elas foi a formação de um grupo de um tipo peculiar, um verdadeiro protótipo do partido totalitário moderno."



sábado, 21 de março de 2020

Santo Tomás de Aquino: um Filósofo Admirável

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Primeiros anos
Tomás de Aquino que foi chamado o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios. Nasceu em março de 1225 no castelo de Roca-Sica, perto da cidade de Aquino, no reino de Nápoles, na Itália. Com apenas cinco anos seu pai, conde de Landulfo d’Aquino, o internou no mosteiro de Monte Cassino. Aí iria ser educado pelos sábios monges beneditinos, ordem religiosa fundada por Bento de Núrsia exatamente naquele local.